Projetos e Produtos


PROJETO 2018

Pernas para que te quero?
        
Andanças...

Ilustrações: Marco Godoy

Neste novo projeto do Grupo Ciranda Bordadeira a linguagem gráfica e o bordado se unem para, de uma maneira leve e divertida, entremear  temas relevantes que permeiam o cotidiano com sugestões bem humoradas para tornar a vida mais saudável e feliz.
Com a delicadeza e a habilidade emblemática de suas criações, as artistas convidam o leitor a refletir sobre importantes questões relativas à diversidade, inclusão e ações solidárias.
Das linhas e cores as bordadeiras fazem um instrumento para destacar a necessidade de mudanças para que a sociedade seja mais justa e igualitária. 
O livro resultante tem lançamento programado para outubro de 2018, na Livraria da Vila - Unidade Fradique Coutinho.  


Rosely Gomes Pereira, últimos pontinhos no bordado... 
Mieko Makino, mestre do ponto areia. 
Agnes Franchini arrasou com seu bordado! 
Bernadete Granado, pela primeira vez participando de nossa Ciranda.

Minhas mãozinhas dando os retoques em meu bordado. 
Adriana Lis Bellinello, sempre presente em nossos projetos.



Projeto Às margens dos rios
Caatinga e Cerrado - Contrastes

Agenda 2017


Em 2016 o projeto do grupo Ciranda Bordadeira teve como tema a fauna e a flora do Cerrado e da Caatinga. Nos traços realistas das ilustrações de Marta Oliveira encontramos a inspiração para reproduzir um tanto dos cenários que compõem essas regiões, desde os leitos das águas até a paisagem árida que circunda suas margens durante as longas estiagens.
A seca que marca a Caatinga e os rios que fazem o Cerrado ser chamado de "berço das águas" geram um grande contraste e foram as fontes onde embebemos os fios e cores para compor os 13 bordados que integraram a agenda 2017.






Adriana Lis Bellinello
Sertanejo -Caatinga


Desde pequena o bordado faz parte de meu universo por influência de minha mãe e de minhas avós.
Cerca de seis anos atrás conheci o trabalho desenvolvido por Jaci Ferreira e seus projetos com as integrantes do grupo Ciranda Bordadeira.  Desde então me interessei cada vez mais pelo bordado, buscando conhecer novas técnicas e pontos, bem como formas de aplicá-los. Esta atividade é, para mim, terapêutica, permitindo a imersão em importantes momentos de minha história. Com o auxílio de cores e texturas, consigo transportar esses momentos para a realidade atual, uma atividade que me proporciona extremo prazer.
Com o grupo, participei das mostras Bordando os Sete e Felicidades,  em 2012, Feminices: o Real e o Imaginário na Vida da Mulher, em 2013, além de contribuir com trabalhos publicados em dois livros: Bordados do Brasil: a Arte de Militão dos Santos e Bordando Arte.
Cada projeto, com sua característica peculiar, representa um novo desafio a ser vencido com seriedade e engajamento na temática proposta. A composição dessa obra, como se pode imaginar, exigiu algumas pesquisas, para que elementos típicos da Caatinga fossem reproduzidos com fidelidade e para que os pontos de bordado utilizados fossem adequados ao vestuário do personagem e aos elementos representativos da colheita da  babosa.

Adriana Lis Bellinello é dentista e bordadeira. É mãe amorosa de três filhos que já foram representados em trabalhos anteriores.

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Agnes Franchini
Araras-Azuis - Caatinga


Como aluna do ateliê há quase três anos, já tinha participado, em 2013, com o grupo Ciranda Bordadeira, da exposição Feminices: o Real e o Imaginário na Vida da Mulher.
Este ano fui convidada para fazer parte deste lindo projeto e me senti extremamente honrada com a ideia de ilustrar, por intermédio do bordado, natureza tão duramente castigada, e ainda assim bela, como a Caatinga, com sua vegetação diversificada e o colorido dos pássaros que a habitam.
Sou uma pessoa minuciosa: gosto de cores, texturas e principalmente, desafios. Às vezes fico tão entusiasmada com um detalhe que levo horas cuidando de cada pedacinho dele.
Um ponto haste aqui, um chevron ali, alguns toques de caseado e assim vai meu dia, cruzando linhas e juntando pontos, imaginando como vai ficar aquilo que antes era apenas um simples pedaço de tecido.
No bordado das araras-azuis, além dos pontos citados, lancei mão da técnica slash and burn que, de forma simplificada, consiste no corte e queima de tecidos sintéticos (com soprador e pirógrafo), produzindo o efeito de texturas diferenciadas.

Agnes Franchini é artista plástica e participou em 2016 do IV Salão de Outono da América Latina, realizado em maio e junho no Memorial da América Latina em São Paulo. Teve trabalhos expostos no Salon International d’Art Contemporaine 2014/2015, realizado em outubro de 2014 no Carrousel du Louvre, Musée du Louvre, Paris.

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Anne Olesen
Cascavel - Cerrado


Meu ingresso no universo do bordado se deu na infância com trabalhos, que ainda preservo, inspirados nos contos de Hans Christian Andersen, nos quais usava a técnica do ponto cruz dinamarquês.
Há quatro anos descobri o bordado livre com a professora Jaci Ferreira e me apaixonei por essa expressão artística, repleta de criatividade e conexões emocionais, uma meditação que acalma a intensa rotina de alguém que reside numa grande metrópole como São Paulo.
Em um dos workshops que frequentei, Pontos de Encantar, minha História vou Contar, tive a oportunidade de resgatar e registrar experiências passadas, estabelecendo importantes elos entre meu país de origem, a Dinamarca, e o Brasil, que me acolheu e onde moro desde criança. O resultado foi um livro todo bordado com minhas lembranças mais significativas.
Com o grupo Ciranda Bordadeira, participei em 2013 da exposição Feminices: o Real e o Imaginário na Vida da Mulher, e em 2015, da agenda Lendas Brasileiras, com o bordado O Sono do Rio.
A agenda 2017 trouxe novos desafios: o processo do bordado da Cascavel do Cerrado transformou, aos poucos, o medo por cobras em curiosidade e, até, em certa simpatia e admiração por sua beleza.

Anne Catherine Olesen é mãe de dois filhos, administradora por formação e atuante na área de marketing empresarial. O bordado ocupa lugar privilegiado em sua intensa rotina, bem como sua ativa participação, como voluntária, no corpo de conselheiros na Fundação Dorina Nowill.

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Chiara Viscomi
Lobo-Guará - Cerrado


Aprendi a bordar ponto cruz aos 10 anos de idade e, há oito anos, conheci o trabalho da mestra Jaci Ferreira com o bordado livre e me encantei. Em função do devotamento de Jaci no ensino dessa arte, pude participar de diversos projetos, como as mostras Bordando o Sete e Felicidades, em 2012, e Feminices:  o Real e o Imaginário na Vida da Mulher, em 2013, além dos livros Mulheres de Outrora, Bordados de Agora, e Bordando Arte.
Bordar é um dom que herdei das mãos magras e vividas de queridas mulheres que deram graça às suas vidas com flores de delicados pontos e barrados de capricho. Esse dom ultrapassa o manuseio dos tecidos e das linhas, ele proporciona a construção de ideias, o entendimento de sentimentos, a fluidez da imaginação, o encontro de mulheres diversas despidas de qualquer forma de julgamento: é nunca estar sozinha, pois estamos sempre acompanhadas pelas reverberações de encontros genuínos.
Essa atividade introspectiva pode ser considerada terapêutica, uma vez que permite o acesso a registros fundamentais da existência, a exemplo do que ocorreu quando bordei a obra Tempo de Memória, 2013. Nela estão condensadas etapas significativas de meu desenvolvimento pessoal: a trajetória de uma despedida de meu percurso como filha, para tornar-me namorada e mulher.
No bordado do Lobo-guará, lancei mão das nuances de um mesmo tom e da direção dos pontos para reproduzir com a maior fidelidade possível a pelagem do animal.

Chiara Viscomi é publicitária, estudante de Psicologia, cuidadora da linda boxer Yoko e bordadeira.

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Daniela Michelin
Tamanduá-Bandeira - Cerrado


A poesia anda sumida do mundo.   A humanidade valoriza tudo aquilo que é rápido, pragmático, eficiente, curto, impessoal.    As cartas redigidas à mão (perfumadas? marcadas por uma lágrima? seladas com um beijo de batom?) foram substituídas por e-mails e esses por mensagens de WhatsApp.  O reencontro com um amigo de infância não causa a mesma comoção de outrora, quando a ausência das redes sociais tornava o fato raro e consequentemente, precioso.   Ninguém ousa fazer uma visita não anunciada para compartilhar um café, sem agenda e objetivos predefinidos.
Vivo nesse mundo e me beneficio de suas vantagens, pois existem inúmeras, mas sinto falta da poesia.  Da carta.  Da emoção.  Da falta de agenda.  Bordo para resgatar essa poesia.  Bordo porque é um processo demorado.  Bordo porque me conecto com gerações passadas. Bordo porque não há objetivo prático.   É poesia por poesia...uma experiência sensorial: a escolha das cores,  a seleção da textura das linhas, a opção pelo ponto que melhor traduzirá um objeto real para o meu mundo têxtil.   Gosto de pontos tridimensionais, que atraem a curiosidade do observador e o transportam, por um momento, para aquele mundo de beleza e simplicidade.   Às vezes um desavisado pergunta se eu vendo os meus bordados.  Ah, se ele soubesse de tudo o que está envolvido! Eu respondo: “Eu até poderia te presentear, mas vender nunca. É poesia“.

Daniella Michelin é empresária, consultora de gestão, bordadeira e mãe do Noah, sua maior paixão.  

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Denise Oliveira
Casa de Pau a Pique - Caatinga


Adoro bordar, mas eu sofro. Sofro para escolher as cores, para furar pela primeira vez o pano, para encontrar a linha adequada e a direção precisa da minha expressão. Bem, é que eu sofro de “sofrência” mesmo, eu sou assim. Porém, aos soluços e tropeços, vai nascendo uma narrativa, a construção melódica de uma história... era uma vez um burrinho que era pobre num casebre, mas era rico de céu, de chão, de beira de rio. Então percebo que já cheguei no coração da Caatinga, onde falta de um tudo, mas não falta nada para a gente ser feliz. Aí eu começo logo a cantar. Isso pra mim é bordar.
Já havia participado do projeto anterior do grupo Ciranda Bordadeira com a temática das lendas brasileiras, que compuseram a Agenda 2016. À época, obtive um grande prazer em manusear as linhas e cores para transpor para o tecido a minha Iara, mãe d´água.  Neste novo trabalho coube a mim o desenho representativo da triste realidade vivida por grande parte dos moradores dessa região desolada. O grande desafio foi transformar esse sombrio cenário em uma imagem esteticamente apreciável e, acredito, isso se tornou possível pela variedade de tonalidades e pontos utilizados.  

Denise Maria de Oliveira é psicoterapeuta, ceramista amadora, bordadeira caseira e rainha do lar.


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Jaci Ferreira
Tucano - Cerrado



Neste projeto, a seleção do tema que competiria a cada participante foi feita por sorteio e fiquei muito satisfeita pelo fato de caber a mim esse colorido habitante do Cerrado, o Tucano.
Sua execução demandou algumas pesquisas para me certificar das cores de sua plumagem, além de vários testes de pontos que produziriam o resultado almejado. Tenho especial predileção por bordar animais e pássaros e é sempre um desafio prazeroso verter seu encanto para o tecido. Entretanto, a atividade criativa tem ritmo próprio e, quando percebi, o personagem principal tinha passado para segundo plano, enquanto o tronco se realçava: isso porque, para dar volume, optei por uma derivação da feltragem, utilizando tecidos, rendas e fios de diferentes espessuras. Para alçar o elemento principal à sua condição de protagonista, foi preciso então usar pontos mais sofisticados. Recorrendo ao repertório proveniente de minha experiência, procurei dar vida ao olhar e, sobrepondo diferentes pontos, enfatizar as penas e a cauda. O fundo, feito com aquarela apropriada, recebeu delicadas folhas com apenas um fio da linha mouliné, uma forragem suave que contribuiu para que o pássaro sobressaísse.
Enfim, o término do trabalho proporcionou um sentimento satisfatório de obra concluída, na qual nem um ponto cabe mais, basta assinar!

Jaci Ferreira é psicóloga, psicanalista e bordadeira. Coordena o grupo Ciranda Bordadeira e dá aulas em seu ateliê Bordados etc. e tal.


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Maria Alice Teixeira
Barriguda - Caatinga


Bordar é bom, é muito bom. Bordar é alegre, divertido, faz pensar, perdoar o passado, atenuar o tamanho das coisas do presente, pôr cada uma em seu lugar. Ressalta a paz e a paciência. Bordar é ótimo e bordar o Brasil, as coisas do Brasil, melhor ainda.
Me tocou um tema da Caatinga e pude perceber sua natureza e beleza através do bordado: bendita Caatinga e bendito Cerrado. Bordar em grupo, tendo o mesmo propósito com cada ponto tão diferente, ponto cheio, atrás, caseado, correntinha, ponto areia... bordar me deixa feliz, muito feliz, a verdade é esta.
Essa foi mais uma experiência junto ao grupo Ciranda Bordadeira. Anteriormente participei da mostra Felicidades, em 2012, e Feminices: o Real e o Imaginário na Vida da Mulher, em 2013. Já meu bordado Boitatá integrou a agenda 2016.  Agora tive o prazer de receber este convite para bordar a Barriguda,  árvore típica da Caatinga com seus galhos retorcidos e pequenas flores amarelas.  Uma mostra de quão esplêndida pode ser a natureza, onde a florescência exuberante de árvores como essa paineira contrasta com a paisagem ressequida do entorno.

Maria Alice Teixeira Soares exerceu diversas atividades ao longo de sua vida, dentre elas o jornalismo. Fez poesia, publicou livros e viveu uma longa história de amor. Hoje, define-se, apenas, como bordadeira.


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Marta Oliveira
Tatu-Bola - Caatinga


Minha convivência com as linhas vem de longa data e já realizei inúmeros trabalhos fazendo uso, de maneira livre, do bordado. Cerca de um ano atrás ingressei no ateliê da Jaci com o intuito de incrementar meu repertório de pontos e com eles enriquecer minhas produções.
Nesse projeto fui duplamente contemplada: em primeira instância, com a incumbênciade criar 13 desenhos expressivos das realidades da Caatinga e do Cerrado para ilustrar o novo projeto do grupo Ciranda Bordadeira, e, depois com o convite para participar bordando um dos temas: o Tatu-Bola em seu habitat.
Na pintura do fundo e nas linhas utilizadas procurei ressaltar a monocromia característica do árido brasileiro, a Caatinga. O protagonista foi integrado ao entorno por intermédio desse recurso técnico. Assim, sua simpática e peculiar característica de se transformar numa bola, mimetizando a paisagem, foi reforçada. Na vegetação,busquei utilizar pontos e tonalidades que tipificassem as suculentas, plantas capazes de reter água e assim sobreviver à rigorosa falta de chuva da região.
A representação da casca do animal, um trabalho minucioso, requereu incontáveis horas de trabalho e a mescla dos pontos sorbello e rede resultou numa reprodução bastante fiel, a meu ver. Por fim, foi bastante gratificante a experiência de acompanhar o processo criativo de todas as integrantes e presenciar, aos poucos, a metamorfose de meus traços em riquíssima trama de cores e texturas que traduziram com precisa sensibilidade as matizes do Cerrado e da Caatinga.

Marta Oliveira é artista multimídia e trabalha com vários seguimentos e vertentes das artes visuais - pintura, bordado, ilustrações, gravuras e cenários - dentre outras mais. 

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Nancy Penteado
Buriti - Cerrado


Desde cedo, a arte permeou o meu cotidiano. Durante quase 30 anos, administrei minhas lojas de decoração, onde expunha meus trabalhos e ministrava aulas de variadas técnicas, como por exemplo: aerografia, pintura folk, batik e patchwork, entre outras.  
Invariavelmente,o incentivo dos meus clientes me estimulava a produzir peças inovadoras. O convívio com as cores me delicia e, cerca de quatro anos atrás, descobri os fios e as múltiplas possibilidades criativas oferecidas por eles.  No ateliê da Jaci, encontrei a linguagem artística com a qual me identifico e, desde então, tenho me dedicado com afinco à pesquisa de novas técnicas e ao aprendizado de novos pontos que possam traduzir aquilo que desejo transmitir em meus  bordados.
Pude, também, lançar mão de minha experiência como aquarelista para, adequando a técnica para o tecido, obter os efeitos de sombra e profundidade almejados. Mas a maior riqueza que o bordado proporciona, a meu ver, é a oportunidade de convívio com pessoas que me ensinam muito, com seus conhecimentos e percursos diversos. Esses encontros semanais tornaram-se uma fonte essencial de alimento para minha alma. Sinto-me privilegiada por desfrutar desse estimulante intercâmbio de informações.
Esta é a primeira vez que participo de um projeto junto com o grupo Ciranda Bordadeira e me beneficiei bastante do intercâmbio com as demais integrantes ao longo do processo de quase dois meses até a conclusão de meu bordado. Pude atestar a qualidade e esmero dos demais trabalhos e estou certa que essa será mais uma produção exitosa do ateliê Bordados etc. e tal.

Nancy Lúcia de Campos Penteado é artista plástica, aquarelista e bordadeira.


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Priscila Bueno
Flor-de-Mandacaru e Sofrê - Caatinga


Tenho 47 anos e sempre me interessei pelo bordado. Há cerca de oito anos, buscando na internet, conheci o trabalho da Jaci, e comecei a ter aulas.  Nunca mais parei de bordar, para mim um exercício de prazer e doação. A experiência de integrar um projeto coletivo me tira da zona de conforto e oferece um mundo de possibilidades e, ao final, é gratificante testemunhar o resultado, tanto o enriquecimento do projeto por meu trabalho como a evolução do meu bordado por intermédio da troca entre os pares.
No livro Bordando Arte, editado em 2014 pelo ateliê Bordados etc. e tal, integrei a publicação com uma obra sobre São Sebastião.
O projeto desse ano foi desafiador, pois tive que buscar e aprender pontos que enaltecessem o desenho. Jaci, com seu vasto conhecimento, me mostrou possibilidades que eu nunca teria imaginado e que realçaram os traços. O efeito ficou lindo! É isso que me encanta no bordado: estou continuamente aprendendo pontos novos, maneiras diferentes de usá-los, e, consequentemente, sempre testando e expandindo minha visão do mundo.
Para bordar a Flor do mandacaru, utilizei o ponto vandyke, que criou o exato resultado buscado. Nos cactos foi aplicada uma variação de um ponto japonês. Já a alternância de tons de uma mesma série produziu o sombreamento necessário para dar volume à peça. Nas penas do pássaro sofrê - ou corrupião -, ave típica da Caatinga, optei pelo uso das cores intensas que caracterizam sua plumagem.

Priscila Bueno é tradutora, empresária e bordadeira. Mãe de duas filhas, nas horas vagas dedica-se também ao crochê.


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Silvia Curvelo
Busca d'agua - Caatinga


Desde criança me interesso pelas artes manuais e, a partir da aposentadoria, passei a dedicar minhas horas livres para aprender diferentes modalidades. Sou capaz de passar horas fazendo tricô ou criando adereços para ensinar às pacientes e aos familiares nos locais onde desempenho a função de voluntária. Sinto imenso prazer em compartilhar meu conhecimento com esse público tão carente de cuidados básicos e que tem a doença como fonte permanente de preocupação. Nesse momento delicado, a possibilidade de incluir algo novo em sua dolorosa rotina representa um importante alento.
Em 2013 surgiu a oportunidade de iniciar o aprendizado no bordado livre e, desde então, essa atividade passou a acompanhar meus dias.  Minhas aulas semanais no ateliê Bordados etc. e tal  exercem uma função terapêutica, uma vez que me acalmam e contribuem para conter minha agitação natural.
Minha primeira participação no grupo Ciranda Bordadeira foi na exposição Feminices:  o Real e o Imaginário na Vida da Mulher, em 2013. Mais tarde, bordei  O Boto no projeto da agenda 2016.
Com esse novo convite, o desafio foi mais instigante, pois implicava em dar vida, com fios, cores e texturas, ao clima inóspito da Caatinga e transmitir, de algum modo, a atmosfera que permeia os dias daquelas mulheres em cuja região o abastecimento de água é precário. Fiz uso de variações do ponto rede para reproduzir as fissuras do solo esturricado.

Silvia da Silva Curvelo é bordadeira, voluntária no Hospital Universitário da USP junto à população atendida e integra o grupo Arte do Bem, responsável pelo atendimento dos pacientes do SUS na Beneficência Portuguesa.


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Vera Simonetti
Onça-Pintada - Cerrado


Ouvi muitas histórias sobre a onça-pintada quando criança. Minha mãe, na época professora primária recém-formada, dava aulas em escolas de fazendas nos limites interioranos de São Paulo, e não foi uma vez só que ouviu o esturro da onça que espantava o gado. Numa das vezes, foi bem próximo da casa onde morava. Assustador.
Meu pai ia muito às matas do Paraná e Mato Grosso com grupos de amigos. Chegou a ver onças de relance, mas o que mais ficou na lembrança dele foram o cheiro, o rugido e as marcas de suas patas ao redor do acampamento. Não caçou nenhuma - ainda bem! -, apenas aves para alimentar o grupo.
Bordar esse belo animal foi uma retomada dessas memórias. Representá-lo demandou escolhas de pontos e cores que o destacassem do ambiente. Ponto do tipo lace para o tronco, variações de reto, chavão, pluma para árvores, matinhos e pele, nó francês e rococó aqui e ali, caseado para as margens.
Porque, afinal, trata-se do maior felino das Américas.
Tenho um grande orgulho por integrar os projetos do grupo Ciranda Bordadeira desde a sua fundação em 2012. Participei de três mostras: Bordando os Sete, com um trabalho inspirado em obra da pintora catalã Montserrat Gudiol, Felicidades, e Feminices: o Real e o Imaginário na Vida da mulher (2013). Tenho obras em duas publicações: Bordados do Brasil: a Arte de Militão dos Santos e Bordando Arte. Para a agenda 2016, bordei a Lenda da Lua.

Vera Simonetti é socióloga, fotógrafa, professora, Sussuarana para amigas do ramo, desde que retomou o bordado poucos anos atrás.



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PROJETO
LENDAS BRASILEIRAS

AGENDA 2016


Com o objetivo de restaurar, por intermédio da arte, algumas das histórias que permearam o imaginário das crianças no passado, o grupo Ciranda Bordadeira elegeu como tema treze  lendas brasileiras para compor a Agenda 2016.
As bordadeiras, lançando mão das próprias memórias, transpuseram para o tecido as figuras que habitaram sua infância.
O Boto Cor de Rosa, Boitatá, Curupira, Lobisomem, Uirapuru, Negrinho do Pastoreio, O Sono do Rio, Muiraquitã, Saci Pererê, a Lenda da Lua, Mãe D´Água, Matita Perêra e Vitória Régia ganharam vida em pontos, cores e tessituras. Desenhos exclusivos de Cláudia Cascarelli.


Silvia Curvelo
O Boto



Trata-se de uma das principais lendas do folclore brasileiro e refere-se à região amazônica. Na mitologia dos índios tupis, há um deus – o Uauiará – que também se transforma em boto e adora namorar belas mulheres.

Nas festas juninas ou em noites de lua cheia um boto cor-de-rosa emerge dos rios. Munido de poderes especiais transforma-se num lindo jovem vestido de roupa branca social. Um chapéu branco esconde seu rosto, disfarçando o grande nariz.
O rapaz é muito galante: aproxima-se das jovens desacompanhadas e envolve-as numa encantadora conversa com o preciso intuito de seduzi-las. Promete levá-las a um passeio pelo fundo dos rios e acaba por engravidá-las. Na manhã seguinte, depois dessa “noite de amor”, volta a sua forma original e continua a nadar nas águas amazônicas até que no céu surja de novo a lua cheia.
O boto é amigo dos pescadores, ajudando-os a conduzir suas embarcações em segurança durante as tempestades e salvando também aqueles que estão para se afogar.



Maria Alice Teixeira Soares
Boitatá



O Boitatá é uma lenda brasileira muito antiga, citada  pela primeira vez pelo padre José de Anchieta num texto de 1560. As narrativas do Sul e Sudeste apresentam algumas diferenças em relação ao Nordeste.

No começo dos tempos, uma noite se prolongou muito. A escuridão era absoluta, pois todas as estrelas se apagaram. Os animais não faziam o menor ruído e nem mesmo o som do vento cortava o silêncio.  Ninguém podia sair de casa para caçar ou cortar lenha e as pessoas padeciam de fome e frio.

Depois de alguns dias uma chuva torrencial inundou tudo devastando as plantações e matando a criação. Uma cobra enorme que vivia adormecida em um tronco despertou esfomeada e, ao ver o brilho dos olhos dos bichos boiando nas águas, alimentou-se com eles. Foram tantos os olhos que a cobra engoliu que seu corpo ficou transparente e brilhante como fogo.  E assim nasceu o Boitatá, o monstro que assusta as pessoas, mas protege a mata contra incêndios. O fogo que sai de sua boca é mágico e por isso não queima as árvores nem as plantas e também não se apaga quando o Boitatá nada pelos rios.

Tania kracochansky
Curupira


A lenda do Curupira é contada principalmente no interior do país, tendo como habitat as matas brasileiras.  Segundo as descrições tem baixa estatura e o corpo coberto de pelos. Seus cabelos são cor de fogo e tem os pés voltados para trás. Esse pequeno ente é muito forte e esperto e sua função é proteger a floresta dos invasores.

O Curupira descansa na sombra das mangueiras com os ouvidos atentos à presença de caçadores. Tão logo percebe sua proximidade, assusta-os emitindo sons e assobios agudos ou então recorre à outra tática criando imagens ilusórias aterrorizantes para afastar os inimigos da mata. Seus perseguidores não conseguem localizá-lo, pois seus pés virados para trás despistam suas pegadas e, quando é surpreendido, foge numa velocidade surpreendente ou escapa montado em um porco do mato.
Às vezes rapta crianças pequenas para morar com ele, devolvendo-as depois de lhes mostrar os segredos da floresta durante sete anos. 
O Curupira adora pregar peças naqueles que tentam destruir a natureza: recorrendo a encantamentos ele atordoa os invasores tornando-os incapazes de encontrar o caminho de volta.


Eliamar Almeida
Lobisomem


Em todas as cidades, vilas e povoados do Brasil, o Lobisomem faz parte da mitologia local.
É noite de sexta-feira e a lua cheia brilha no céu. O Lobisomem cumprindo a sua sina percorre as ruas ou estradas desertas com uma matilha de cães no seu encalço. Em seu percurso visita sete partes da região, sete pátios de igreja, sete vilas e sete encruzilhadas. Por onde passa, açoita os cachorros e apaga as luzes das ruas e das casas, enquanto uiva de forma horripilante para o alto. 
Se alguém cruzar em seu caminho deve rezar três Ave-Marias para se proteger.
Antes de o dia raiar, tão logo o galo canta, a criatura retorna ao local de partida e assume de novo a forma humana, transformando-se num homem extremamente pálido e magro com orelhas compridas e nariz protuberante.

Nesse momento lamenta ser o único varão de uma prole com sete meninas e cumprir o destino inexorável de, a cada sexta-feira, se transformar num ser sinistro e amedrontador.

Jaci Ferreira
Uirapuru

O Uirapuru é uma ave típica da região amazônica e seu canto único inspirou a criação de diversas lendas. Seu nome popular origina-se da expressão Tupi-guarani “Wirapu´ru” que significa pássaro que não é pássaro em função de seu canto harmônico e encantador.  Uma pena ou um pedaço de seu ninho são considerados talismãs que trazem ao portador sorte e felicidade.


Há muitos anos a harmonia entre os habitantes de uma aldeia foi ameaçada quando um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do cacique. Ciente que jamais poderia revelar seus sentimentos pediu ao deus Tupã que o transformasse num pássaro para que pudesse ao menos dedicar seu canto maravilhoso à sua amada.
  Entretanto foi o próprio rival quem primeiro ficou fascinando pela melodia e perseguiu o pássaro com o objetivo de engaiolá-lo. O Uirapuru voou para a floresta e o cacique se perdeu.

Desde então o Uirapuru canta para a jovem esperando que ela o reconheça e quebre, enfim, o encanto para que possam ser felizes juntos.


Ana Silvia Loureiro
Negrinho do Pastoreiro


Esta é uma lenda afro-cristã surgida no final do século XIX pelos defensores da abolição dos escravos, sendo muito popular na região Sul do Brasil.

Era uma noite fria de inverno. Um fazendeiro muito cruel com seus escravos ordenou a um menino de catorze anos que fosse pastorear os cavalos.  Ao fazer a conferência dos animais no final da tarde notou que faltava um potro e, com um chicote, castigou o pequeno escravo, deixando-o sangrar. Ameaçou-o de punição ainda pior caso não encontrasse o filhote. O menino, temeroso, partiu em busca do animal e laçou-o, mas a corda arrebentou. Ao retornar à fazenda, além de outra surra, o senhor amarrou-o nu sobre um formigueiro.
No dia seguinte, lá estava o menino sem marca alguma em seu corpo, tendo ao seu lado a virgem Nossa Senhora, o cavalo perdido e os outros animais. O senhor tentou pedir-lhe perdão, mas o negrinho nada lhe respondeu e, depois de beijar a mão da santa, montou no baio e se foi.

Desde então os andarilhos e tropeiros dão a notícia de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um negrinho, montado em um cavalo baio. Até hoje se acredita que, para encontrar objetos perdidos, basta invocar o Negrinho do Pastoreio.


Anne Olesen
O Sono do Rio


A lenda do sono do rio é uma antiga história que circula por todos os cantos do Médio São Francisco e causa temor e encantamento à população.

Era uma noite enluarada e Serafim navegava pelas águas do Velho Chico. As estrelas guiavam seu rumo, indicando-lhe as horas e apenas o ruído de uma cachoeira distante rompia o silêncio.
Próximo da meia-noite, tomado por enorme cansaço, o pescador deitou-se na barca. Imóvel, percebeu que se aproximava da corredeira e que até seu barulho tinha cessado. Diante de tal calmaria, se lembrou que aquela era a noite do sono do rio e que movimento algum poderia interromper o instante mágico, pois ele se dava apenas uma vez por ano. De repente, das águas brotou o canto mágico da Mãe D´Água com seu corpo metade mulher e metade peixe. Naquele segundo que o sono do rio durava tudo parecia eterno.
Ao som da voz da sedutora criatura o São Francisco devolveu as almas de todos os afogados que, retomando seus corpos, subiram ao céu e também a Mãe D´Água desapareceu. Aos poucos todos os sons retornaram e Serafim notou que a beleza de há pouco findara. Recuperando as forças sentiu-se o mais feliz dos homens. Permaneceu ainda deitado por instantes, em respeito ao sono do rio.  


Fátima Majolo
Muiraquitã


Essa lenda associa-se à das Icamiabas, guerreiras similares às amazonas da mitologia grega. Há um relato datado de 1542 onde um frei chamado Carvajal descreve seu encontro com um grupo dessas notáveis mulheres.  Até hoje, os Muiraquitãs são encontrados na região amazônica, sem que ninguém possa explicar sua procedência.

As guerreiras Icamiabas viviam isoladas numa comunidade onde reinavam as mulheres, na região do Rio Jamundá (AM). Sua independência e poder, contudo, eram insuficientes para preservação da tribo e, assim, em algumas ocasiões, elas recebiam em sua aldeia grupos de homens de aldeias vizinhas. Na noite da cerimônia, as guerreiras mergulhavam nas águas do lago sagrado Yaci, mãe de Muiraquitã. Das mãos da deusa recebiam uma substância argilosa, de cor verde, com a qual esculpiam delicadas figuras. O talismã, geralmente em forma de um sapo, era então ofertado aos escolhidos que desfrutariam uma noite de amor com as belas mulheres.
Ao final da gestação, as meninas permaneciam na aldeia para dar continuidade à casta matriarcal.  Os meninos eram mortos ou entregues aos pais para serem criados. O amuleto era passado como herança aos filhos sobreviventes 

        
Rosely Gomes Pereira
Saci Pererê




A lenda do Saci Pererê é uma das mais difundidas no Brasil. Procedente da região sudeste e sul, foi posteriormente integrada ao folclore do norte pelo fato de ser sobre uma figura muito popular também nesta região do país.

Esse moleque negro é travesso, tem uma perna só e fuma cachimbo o tempo todo. Na cabeça, usa um gorro vermelho. Tem poderes mágicos e costuma desaparecer e surgir de novo, misteriosamente. Adora fazer traquinagens e suas risadas alegres podem ser ouvidas ao longe quando afugenta os animais ou dá nó nas crinas dos cavalos. Em noites sem lua seu assobio agudo atravessa a escuridão.
Também faz das suas quando entra nas casas: apaga o fogo, faz queimar os alimentos ou seca a água das vasilhas. Outra de suas reinações é esconder objetos que, em geral, nunca mais são encontrados.
Nas florestas adora confundir as pessoas para que se percam na mata.
Ele aparece sempre num redemoinho e a única forma de espantá-lo é atirar uma faca e chamá-lo pelo nome.


Vera Simonetti
A Lenda da Lua


Essa lenda, originada na região Norte do Brasil, é uma tentativa das tribos que ali residiam para explicar a origem da lua.

No início dos tempos a escuridão dominava o mundo. As noites eram escuras e assustadoras mantendo as pessoas encerradas em casa. Numa tribo, havia apenas uma índia belíssima que não tinha medo e por isso era considerada diferente das outras. Ninguém a cortejava e não tinha amigas com quem conversar. Sentindo-se só, começou a andar pelas noites. Seu comportamento despertou a inveja de outra jovem feíssima e má que começou a segui-la. Não conseguindo enxergar, tropeçou nas pedras e cortou os pés. Com raiva, foi conversar com a cascavel, pedindo-lhe que mordesse os calcanhares da formosa índia. A serpente cumpriu o trato, mas sem êxito, pois os pés dela eram calçados com duas conchas que quebraram os dentes da cobra. Ao ser perguntada, a cascavel revelou o nome de sua inimiga. A delicada jovem, decidindo sumir, teceu uma linda escada de cipós e pediu ajuda à coruja para que a amarrasse ao céu. Subiu tanto que ao chegar adormeceu exausta numa nuvem. Quando acordou havia se transformado num belo astro redondo e iluminado. Era a lua que até hoje ilumina o firmamento.


Denise de Oliveira
Mãe D'água


Iara, a Mãe D´água é um dos mitos mais conhecidos da região amazônica.  Existem diversos relatos de pescadores acerca de jovens que cederam aos encantos da tentadora criatura e morreram afogados.

Tempos atrás vivia na tribo dos Manaus um índio muito bonito chamado Jaguarari que adorava remar e pescar, estava sempre contente e era bastante querido por todos.
Numa manhã o jovem saiu bem cedo para pescar e, encontrando um lago desconhecido, resolveu nadar. Quando escureceu decidiu retornar à aldeia.
Já ia se afastando do lago, quando ouviu um canto maravilhoso. Então, resolveu voltar para ver quem estava entoando aquela doce melodia e viu-se diante de uma mulher de indescritível beleza com cabelos longos e verdes e olhar sedutor. Na parte inferior do corpo brilhavam escamas como numa cauda de peixe. Apavorado com a visão voltou correndo para sua aldeia, porém, atraído por aquela voz retornava todas as tardes para rever a sereia. Foram inúteis os avisos de sua mãe: um dia Jaguarari cedeu aos encantos da Iara e mergulhou ao seu encontro para nunca mais retornar.


Chiara Viscomi
Matita Perera


É uma personagem folclórica proveniente do norte do país, embora seja difundida também em outras regiões do Brasil. O grande músico Tom Jobim, inspirado na lenda, lançou em 1973 um álbum intitulado Matita Perê.

Nas noites sem luar uma velha vestida de preto anda pelas ruas e de vez em quando solta um assobio estridente que parece ecoar seu próprio nome cortando o silêncio e aterrorizando os habitantes da cidade. Todos sabem de seus poderes especiais que podem atingir a saúde das pessoas, ocasionando-lhes fortes dores de cabeça. Anda sempre acompanhada de um pássaro, considerado agourento.
Na manhã seguinte se alguém bater à porta de uma casa pedindo tabaco e uma xícara de café a pessoa pode estar certa que é Matita Perêra a visitante.
Em suas aparições tem o hábito de perguntar: quem quer? Quem quer? Caso algum desavisado responda apressadamente: eu quero, pensando se tratar de alguma herança receberá a sina de se transformar na Matita.
Os moradores da região acreditam que a única forma de capturar a assustadora velhinha é possuir uma tesoura virgem, uma chave e um terço e fazer um ritual com orações especiais e secretas para prendê-la. 

Bia Coutinho
Vitória Régia


A lenda da Vitória Régia é de origem tupi-guarani e muito popular na Amazônia. Com ela os pajés explicavam para os índios de sua tribo a origem desta bela planta aquática.  

Os pajés tupi-guaranis acreditavam que, desde o começo do mundo, toda vez que a lua se escondia no horizonte, ia viver com suas virgens prediletas. Contavam ainda que se gostasse de uma jovem, transformavam-na em uma estrela no céu.
Naiá, a filha de um chefe, impressionou-se com a história e quando todos dormiam subia as colinas e perseguia a lua na esperança de ser vista.
Assim fez durante muito tempo, mas nunca parecia ser notada e seus soluços tristes podiam ser ouvidos ao longe. Em uma noite a índia viu a figura do astro refletida na superfície límpida de um lago e, imaginando que tivesse vindo buscá-la, atirou-se nas águas profundas e nunca mais foi vista. 
A lua, comovida com o sacrifício da jovem, resolveu transformá-la numa estrela diferente das que brilham no céu. E assim nasceu a Vitória Régia – a estrela das águas – uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite. 





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