quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Ciranda em Curitiba

Lá vamos nós desembarcar nossa felicidade em Curitiba.
Dezesseis integrantes do grupo Ciranda Bordadeira prestigiarão a abertura do 2º Quilt & Craft Show. Serão 25 trabalhos inéditos mais os 20 bordados da mostra Bordando os Sete. Vibração e muita alegria em participar deste grande evento.

domingo, 19 de agosto de 2012

Alinhavando Felicidades...

Desde que recebi o convite para participar do 2º Quilt & Craft Show com o tema Felicidade, imaginei que a tarefa seria árdua, essencialmente em função do desafio de transformar algo tão subjetivo numa imagem que a partir do primeiro olhar evocasse esse sentimento no expectador. Superada essa primeira dificuldade pensei que do próprio tema derivaria certa uniformidade de expressão com formas, cores e texturas harmônicas que propiciassem sensações de conforto e bem-estar e, além disso, suscitasse no público percepções análogas provenientes de suas próprias memórias.
O que eu não considerei, porém, foi o óbvio: quando se trata de subjetividade humana e da complexa trama da qual é constituída, é impossível prever o estilo de cada um, o tipo de reação que deseja provocar e menos ainda qual imagem elegerá para representar seu cenário afetivo. E essa constatação resultou na necessidade de lidar com concepções bastante diversas das que eu imaginara no início e que, afinal, pertenciam à minha própria cadeia associativa.
A diversidade e a riqueza da alma humana mostraram sua face, forçando-me a garimpar a felicidade nos traços e nuances mais inesperados: em arestas pontiagudas e  contornos nebulosos, em tons agressivos e imagens inquietantes, em cavidades que evocavam fantasias primitivas. Foi difícil localizá-la nesses desvãos, posto que a todo momento ela insistia em me chamar para terrenos mais familiares nos quais podia ser facilmente identificada... Na cachoeira descendo por uma encosta, nas crianças empinando pipa, nos cachorros ao redor de seus donos, nas lembranças que uma viagem deixou, nos registros domésticos e acolhedores, em viagens que o universo literário propicia e até mesmo num arco-íris contra um céu tempestuoso. E ainda nas fascinantes equilibristas concentradas em manter a felicidade em suas mãos, a despeito dos revezes cotidianos.
Somado a tudo isso o prazer de evocar com linhas e texturas, no trabalho em parceria com Vilma, a magia de contos que me enlevaram na infância.
Jornada finda resta o aprendizado de que a criatividade não tem mesmo limites e a arte pode ser expressa de múltiplas maneiras. Porém, o livre-arbítrio nos possibilita escolher com o que desejamos abastecer nosso mundo interno. Eu fico com Dostoievski: a beleza salvará o mundo.

Jaci Ferreira
Coordenadora do grupo Ciranda Bordadeira

Fantasia a quatro mãos








O conceito inicial deste trabalho foi elaborado por Olinda (SC) e Vilma (SP). Contudo, em função das dificuldades que a distância impunha, Olinda optou por realizar seu bordado sozinha.
A concepção do projeto e o tempo disponível para sua execução eram incompatíveis com uma feitura individual. Foi então que embarquei nesta felicidade alheia e, aos poucos, ingressei na atmosfera por elas imaginada.
A tarefa – à primeira vista gigantesca – foi facilitada pela longa convivência com Vilma nas aulas em meu ateliê, possibilitando que entrássemos rapidamente em sintonia. Alguns ajustes foram realizados no esboço original para que a cria tivesse a nossa cara. Dando asas à imaginação, trouxemos à luz o universo mágico que permeia toda a infância e que representa, para nós, essa tal de Dona Felicidade.

Jaci Ferreira

Superação



 Agostinha recebeu o convite para participar, junto com o grupo Ciranda Bordadeira, do 2º Quilt & Craft Show com o tema Felicidade, em meio a um processo de luto.  Num esforço, procurou em sua memória uma imagem que pudesse traduzir esse sentimento e, dentre seus guardados, encontrou uma fotografia da entrada de sua chácara, recanto no qual desfrutou, com a família, de momentos verdadeiramente felizes.
Apesar do tempo exíguo e da situação adversa, se empenhou para transpor para o tecido as cores e texturas daquele espaço, talvez até como uma forma de se organizar internamente e alimentar a alma com registros afetivos significativos.
Nem tudo foi felicidade, porém. Neste ínterim, sobreveio mais uma doença em família. A necessidade de se dedicar ao cuidado deste ente querido demandou tanto que não sobrava tempo nem disponibilidade para prosseguir no trabalho. A angústia decorrente da necessidade de honrar o compromisso assumido e a absoluta incapacidade de mantê-lo paralisou-a durante dias. Foi quando, num telefonema entre nós, se reproduziu a experiência descrita por Clarice Lispector em um de seus contos intitulado Uma experiência no qual, em um trecho, ela diz:  “Talvez seja uma das experiências humanas e animais mais importantes. A de pedir socorro e, por pura bondade e compreensão do outro, o socorro ser dado. Talvez valha a pena ter nascido para que um dia mudamente se implore e mudamente se receba. Eu já pedi socorro. E não me foi negado”.  
Imbuída desta percepção, assumi o projeto e rematei os fios desta felicidade momentaneamente turvada pela tristeza. O que era um trabalho individual passou a ser criação conjunta. Vê-la assim, emoldurada, suavizou a dor de mais uma perda. E ao testemunhar a emoção de Agostinha, esta felicidade se tornou minha também.

Jaci Ferreira sobre o trabalho de Agostinha Hashimoto
São Paulo – SP

Agostinha Hashimoto

Um Olhar Interior



A felicidade está no alívio da dor através da arte. Inspirada neste mote resolvi bordar o processo que uma amiga estava vivendo  lutando contra sua endometriose profunda. Na primeira vez que vi a pintura de Helô, que exorcizava sua dor e todos os medos por trás desta doença terrível, vislumbrei que aquela coragem de pintar suas entranhas era a expressão máxima de uma atitude de felicidade. Como passei pelas agruras da mesma doença, conheço na carne o poder de abalo moral desta patologia.
Acompanhando a luta de Helô para combater o mal pelo qual estava passando, resolvi me juntar a ela nesta batalha acreditando no real poder curativo da alma através da arte.
Surgiu então "Um Olhar Interior", uma construção através de linhas e texturas da visão interior de Helô Weber sobre seu corpo. O bordado será parte de seu acervo de obras sobre este momento tão especial quanto crítico de sua vida.

Ana Flávia Medina

C’est la vie!



Comecei este trabalho pela pintura, na esperança de que ela me inspirasse. “Joguei” umas pinceladas no ar para que a tinta caísse aleatoriamente, quase que num jogo de azar: e deu azar! Não gostei da combinação de cores que fiz. Mas ela estava feita e agora eu teria que aprender a amá-la.
Briguei com meu trabalho por diversos dias, sem saber por onde começar. Então, voltando à idéia original, resolvi obedecer aos caminhos da tinta e caseei à volta da área verde e da lilás. Gostei do resultado. Ficaram áreas em destaque.
Aos poucos foram surgindo “vontades” de bordar aqui com tal ponto, ali com outro, até chegar num último problema: o linho que usei não tinha a medida exigida. Caseá-lo num outro tecido foi a solução encontrada.
Por que FELICIDADE? Porque, como sempre, o bordado nos traz metáforas da própria vida, e o quê é a vida feliz senão abraçar o que ela nos apresenta, viver a situação da melhor forma possível e gostar do que se experimentou?

Talita Ribeiro
São Paulo – SP

Equilibrista


Desenho de criação própria com o objetivo de traduzir “felicidade” no universo que mista o fantástico e o realista, Equilibrista retrata a busca da realização de sonhos, alimentados pelos desejos. Encontra e lança de dentro de si, o fio por onde percorre equilibrando-se, revelando de onde vêm as atitudes, o caminho e as respostas.
A composição de desenho, bordado, intervenção de tecido aquarelado e instalação da barra de cobre, o trabalho mostra seu caráter experimentalista, associando criação e pesquisa na arte em tecido, vivência que consolida nossa busca e necessidade da arte como incitadora do novo, do diferente e ideal. A arte desmaquiniza e relembra o homem sobre sua humanidade.

Suely Galli
Campinas – SP

Malabaris



Desenho de criação própria com o objetivo de retratar “felicidade” num universo fantástico e cenário da realidade urbana atual, com seus quase totais impedimentos de se ser feliz. A personagem faz, com os elementos que possui dentro de si, construídos das experiências cotidianas, o malabarismo com as possibilidades de posicionar, no centro e acima das próprias ideias, a própria felicidade.
Desenhar, aquarelar e bordar Malabaris nos fez também malabarista da arte em tecido, experimento que monopolizou-nos a inspiração. Com Malabaris vagamos entre alegria e dor, esperança e descrença; brincamos com letras e palavras: paixão predileta; testamos materiais e texturas, furamos sangrando o desorientado dedo indicador; viramo-nos ao avesso e a encontramos lá: a felicidade!

Suely Galli
Campinas – SP

sábado, 18 de agosto de 2012

Contemplação




Ao iniciar o trabalho, veio a minha mente algo que me faz feliz e uma das coisas é observar. Observar o que está ao meu redor, parar em um lugar movimentado como à Avenida Paulista, um shopping ou um parque. Ver cada um com olhar diferente, pois o movimento do lugar e das pessoas que estão neles é diferente, mas cada um tem a sua energia: é a vida passando diante dos nossos olhos, às vezes passamos no mesmo lugar no mesmo dia ou minutos depois e já não é igual, algo se modificou.  
Assim foi com o meu bordado e tudo que estava à volta dele: as exigências, a professora, a curadoria, a responsabilidade, as colegas de aula, a minha família, eu e as minhas observações.
E cada uma das citações que fiz agora, faz aflorar os sentimentos de cada dia, as surpresas  boas e ruins, as alegrias e as decepções.
Ao chegar ao final e ver minha obra concluída, os detalhes, as linhas e suas cores, o tema escolhido e a clareza da sua beleza, me fez feliz. Ao observar delicadamente dentro de nós, a felicidade está nas coisas mais simples da vida. Mas quando há algo que nos encanta, ficar contemplando-a é a felicidade.

Regina Melo
São Paulo – SP

Pequenas Felicidades



Foi um grande desafio criar um trabalho envolvendo o tema “Felicidade” em um espaço de tempo definido. Durante este processo relembrei de muitos momentos bons, engraçados e até tristes da minha vida. Momentos da minha infância, da infância dos meus filhos e da vida de meus pais, tudo relacionado aos que fizeram e fazem parte da minha vida.
Usei pontos simples e fáceis, sem complicação, pois assim cada cena bordada aparecia no tecido com prazer e leveza.
Procurei através deste trabalho transmitir uma sensação alegre, descontraída e divertida do que considero felicidade e a simplicidade dos momentos em que ela pode ser encontrada.

Mieko Makino
São Paulo – SP

Felicidade do outro



A felicidade pode acontecer de muitas maneiras, a minha veio misturada com ansiedade, insegurança e alguma raiva. Ansiedade porque via o tempo passar e o bordado não render, insegurança porque via a obra das outras talentosas bordadeiras e comparava com a minha, e raiva porque não podia me dedicar integralmente ao meu amado bordado, minha vida real não permite. Tudo, porém, é ação e reação, no final percebi que a minha felicidade está aí, em projetar e realizar a beleza através das linhas. 
E quando tudo ficou pronto, isto é, quando o prazo acabou e dei por terminado o trabalho, vi todas as obras reunidas e emolduradas. Cada uma delas tem sua beleza própria e um pouco da personalidade da sua autora. A minha também.
Não era a mais bonita, nem a mais original, nem a mais elaborada, mas ela tem a sua graça, e tem um pouco de mim, e todas têm um pouco da nossa mentora.
Como sempre, o conjunto tem uma beleza gigantesca, em cada um se vê o melhor de sua autora.
Foi mesmo uma felicidade!


Maria Beatriz Coutinho
São Paulo – SP

Hapiness



Olhar a calmaria do horizonte, numa bela montanha com vários tons de verdes e flores, crianças brincando, o mar azul e um imenso céu, esta foi a maneira que encontrei para expressar minha felicidade.
Felicidade maior ainda é bordar. Embora com pouca idade um dos maiores prazeres que encontrei no último ano foi aprender que cada ponto dado, o encontro das linhas e as curvas de cada desenho se transformam em delicados trabalhos.
Literalmente fiquei FELIZ com o resultado deste trabalho e compartilhei esta felicidade com minha família que me acompanhou a cada ponto finalizado.

Luciana Spina
São Paulo – SP

TANGO FELIZ


Bordar é um ato mecânico, mas requer, ao mesmo tempo, sensibilidade para misturar cores, fios pontos e texturas.
O estilo naif da pintora Pilar Sala identifica-se muito com o tipo de bordado que adoro fazer: tudo muito pequeno, repleto de detalhes.
Desta vez o desafio maior foi selecionar os pontos para a execução das arvores, pois a ideia foi fazer uma diferente da outra.
Acho que, em relação ao jardim, milhares de nós com linhas multicoloridas resultaram num efeito bastante interessante.
Recorri a outros materiais, tais como fitas de seda, tecidos, organza, etc...com a intenção de obter diferentes resultados.
Minha felicidade foi conseguir atingir o objetivo a que me propus.

Lucia Schwery
São Paulo – SP

FAMILIA


Como representar a felicidade em bordado?
Foi tentando encontrar este significado que me questionei: quando me sinto feliz? Porque? Onde? Com quem? A partir deste mergulho interior encontrei minha resposta: me sinto feliz junto a minha família. Pronto. Tinha escolhido meu tema.
Marco, meu companheiro e amigo de todas as horas, sempre ao meu lado. Clara, a mais velha. Com ela aprendi a ser mãe. Ana, a mais nova. Nosso anjinho, sempre alegre.
Com eles me sinto completa. Compreendida. Amada. Ao lado deles eu posso dar o melhor de mim: o amor incondicional.
Fiz nosso retrato monocromático como um “desenho a lápis”, de uma forma mais realista. O colorido, este, nós vamos pincelando juntos, no dia-a-dia.
Minha família tem muitos pontos. Estes fazem sua textura. Também tem muitos nós. Mas acima de tudo, minha família tem muitos laços. Laços de amor.


Jaqueline Leff
São Paulo – SP

Aqui, Agora e Feliz


Missão: Bordar a Felicidade.  Uma palavra tão comum, mas tão difícil de definir, seja com palavras ou com agulhas e linhas. Criar o risco do bordado consumiu o mesmo tempo e esforço que o bordar em si. Foi um exercicio que me fez examinar o mundo ao meu redor e considerar o que é a felicidade universal.   Identifiquei os elementos da minha vida que me trazem alegria: a natureza, os animais, a água corrente, meu amor, minha família, o brilho do sol, o reflexo da lua, a esperança de um filho, o amor incondicional da minha cadela Sushi, montanhas que escondem o amanhã, e o ar que, a cada segundo, me lembra de que sou parte do todo, inspirando e expirando, aqui e agora. Concluí que a felicidade não é um estado de espírito, mas sim uma escolha. E bordei num ato de desafio. Bordei intensamente, ponto a ponto a minha escolha pela felicidade, apesar da tristeza que, se permitirmos, pode mudar as matizes da nossa vida e nos impedir de ver as linhas como elas realmente são...coloridas possibilidades.

Daniella Michelin
Uberlândia – MG

Felicidade andante



Que momentos felizes eu poderia colocar no tecido? Entre tantos, quais os preferidos? Escolher já seria uma tarefa prazerosa. Só relembrar as cenas e os cenários de momentos felizes, os sentimentos, os cheiros, sons, cores, as pessoas, os momentos de grandes e pequenas felicidades, que coisa boa!
Um cenário natural sempre me faz olhar a vida com mais gosto. Se volto a um lugar como esse, quero ver como aquela árvore está, espero ansiosa por aquele campo de lírios que começou a florir na época certa, em que lugar mesmo vi a trepadeira amarela? E a mini-orquídea naquele tronco de árvore, será que resistiu ao tempo?
Estar nesses lugares com pessoas queridas, nem se fale. Andar na beira do rio com as crianças e suas vozes deliciosas, deixar a pele sentir o sol, dar um beijo na pessoa amada, parar pra dar um mergulho no laguinho da curva do rio, descansar sob as árvores... Bordar/tecer esta felicidade foi uma felicidade, também.
Vera Simonetti
São Paulo – SP

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Felicidade



As palavras nem sempre conseguem traduzir com fidelidade esse estado de espírito pra lá de gostoso. Mas os motivos que me deixam feliz costumam ser os mais simples possíveis. Um sorriso, uma flor, uma conversa, um encontro com uma amiga, uma comida diferente, tudo isso me leva à felicidade.
Por isso decidi levar ao linho e às agulhas minha felicidade na leitura de livros. Eles me levam a épocas e lugares distantes, me fazem íntima de personagens e autores, e me proporcionam momentos de puro êxtase. É impressionante como a imaginação e a linguagem podem me surpreender.
Bordar essa minha felicidade foi um exercício interessante – na busca de imagens, de pontos que as completassem e, principalmente, na procura pela linha dourada (uma epopeia!).
O grupo Ciranda Bordadeira, composto por mulheres tão distintas, está me proporcionando uma vivência rica e diversificada, e por isso gratificante para meu longo aprendizado na arte de bordar.

Suiang Guerreiro
São Paulo – SP

Little Wing




Entre outras felicidades que tenho, escolhi essa imagem para participar da exposição em Curitiba porque representa a felicidade que encontro na elaboração de um bordado, desde o momento do desenho, passando pela pintura do tecido e, por fim, bordando e experimentando técnicas e pontos. Ela representa as asas da imaginação.
Foi inspirada em Little Wing (1967), música de Jimi Hendrix, onde “Ela” passeia pelo circo da mente entre borboletas, vaga lumes e contos de fadas voando com sua pequena asa. A minha Little Wing passeia pelo mundo das possibilidades entre os tecidos e as linhas.
Não podendo ser diferente, foi um trabalho permeado pela felicidade de se fazer o que se gosta.

Rosângela Barbosa
São Paulo/SP

Lembranças


A proposta de bordar “felicidade”, apresentada pela Jaci ao nosso grupo – Ciranda Bordadeira – caiu sobre mim como um desafio irrealizável. Menos pelo que significaria de bordado ou tempo, mais pelo sentido a ser atribuído à palavra por meio do bordado. Quanto mais pensava, menos via uma imagem bordável. Vilma e eu falamos muito sobre o tema... E rimos muito também em razão das conclusões a que íamos chegando sobre a felicidade e a vida... Ora pensávamos sobre a felicidade no sentido positivo: o que ela era. Ora a pensávamos em seu sentido negativo: o que ela não era. Ideias muito estapafúrdias nos vieram à mente. Demoramos a achar o “ponto certo” do bordado. Íamos fazê-lo juntas. Por impedimentos meus, fizemos separadas. Vilma e Jaci juntaram seus pontos e linhas e eu bordei o meu... O lindo dessa história foi que as nossas felicidades se encontraram, pois, em nossos panos e com nossos fios, bordamos as nossas pequenas felicidades...      


Olinda Evangelista
Florianópolis – SC

Momentos Felizes



A felicidade vibra nas coisas mais simples; no sorriso dos filhos, numa flor desabrochando, em um abraço de verdade, na inocência de um bebê, em uma música que cala fundo em nossas almas amaciando nosso coração, acendendo o riso e convidando a alma pra se divertir.
Essas pequenas artes bordadas com fios de luz no tecido tem sido uma experiência incrível.
É encantador mergulhar neste universo das linhas, pontos e cores, tecendo artes dia a dia e superar dificuldades internas com fios coloridos e com o convívio de pessoas fantásticas é maravilhoso!


Maria Lúcia Ciampolini
São Paulo – SP

Sobre a Felicidade



Bastante difícil e subjetivo interpretar a felicidade por meio de linhas, agulhas e imaginação, mas entre conversas e risadas de todas nós bordadeiras reunidas, surgiu de dentro de mim um jardim secreto e nele, a lua e seus miasmas lunares, o sol e seus ventos solares e a constelação inteirinha das Plêiades em profusão de estrelas tão distantes. Como dizia Antonio Machado, “caminante no hay camino, se hace el camino al andar”. E lá vou eu navegando no caudaloso das águas deste rio...
Sem perceber, aqui está resumida, apenas apontada, a minha Feliz Idade. Marco de onde me encontro hoje em dia, não deixando de lado – claro – os fugazes e momentâneos períodos de felicidade vida afora...

Maria Alice Teixeira Soares
São Paulo – SP

Plenitude



Para mim, ser feliz é me sentir plena, completa, é conviver com todas as imperfeições que a vida nos apresenta e, ainda assim, estar em paz com o mundo e comigo mesma.
Ao saber que o meu próximo trabalho seria sobre o tema Felicidade, pensei que bordar, por si só, já é viver um momento de felicidade. É traçar, trançar e trazer à vida algo que, até então, estava apenas na minha imaginação. Devagar, ponto por ponto, com muito prazer. É como gestar, dar à luz e alimentar um novo rebento. Daí para achar uma imagem que traduzisse este sentimento foi muito simples: a maternidade e o ato de amamentar, sem dúvida alguma!
Desde então, não parei de traçar paralelos entre a arte de bordar e a de ser mãe.   Ser capaz de unir todas as texturas, cores, sombras, volumes, perspectivas e profundidade e dar vida a algo mágico. Muito mais do que dominar técnicas, é acima de tudo um ato de amor.

Luciana Bravo
São Paulo – SP

Minha Felicidade


Meu trabalho como artista plástica é antigo, sou arquiteta de formação e o desenho sempre esteve presente no meu dia a dia. Em meus trabalhos busco traduzir experiências vividas, cenas do cotidiano que marcaram meu olhar seja  em giz pastel, batik, feltragem ou, mais recentemente, com o bordado. Para participar da mostra de Curitiba escolhi uma cena que presenciei em Miami no ano de 2011 minutos antes de uma tempestade. Para mim foi uma grande felicidade  presenciar um momento delicado e ao mesmo tempo brutal da natureza; até as aves vieram ao chão aguardando o desenlace da tormenta. A experiência de representá-lo com os fios das linhas e a agulha foi incrível, representar ponto a ponto as cores e a luz, foi um ensinamento de paciência, perseverança e observação. Este é o meu primeiro trabalho nesta técnica e minha orientadora Jaci foi pacientemente me encaminhando. Estou muito satisfeita com o resultado e estou pronta para novos desafios na arte do bordado.
Lucia Maria Caruso Palla Higuchi
São Paulo – SP          

Dia de festa


Manter viva a nossa Ciranda Bordadeira, com esse trabalho, foi poder me expressar mais uma vez por linhas, pontos, cores e texturas, transformando uma ideia em algo (acho eu) belo. Quando soube qual era o tema – Felicidade –, me senti bastante desafiada. Afinal, o que é felicidade?
A escolha da Colombina foi um “presente” ao meu marido, que gosta da figura do Arlequim. Por que não fazer a mulher apaixonada por Arlequim, como eu apaixonada por ele? E, como eu ADORO cores, nada melhor que a Colombina para poder usar todas e quantas eu quisesse – isso sim me faz feliz! Bem como me fez feliz cada troca de experiências com as “artistas da felicidade” dessa Ciranda: ouvir opiniões, compartilhar receios e conquistas, ver cada trabalho – e cada felicidade – se concretizando em uma coletânea de obras de arte! Trabalho pronto, espero que desperte nos observadores o sentimento tão repetido nesse texto: felicidade!

Fulvia Cristiano
São Paulo – SP

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tempo de Memória



Eu tenho sete dias na semana. Ela tem renda e prosa. Eu tenho lembranças de um tempo esquecido. Ela tem caprichos. Eu tenho anseios de agora. Ela tem segredos de outrora. Eu fui feita a máquina. Ela foi feita a mão. Eu tenho liberdade. Ela tem sensibilidade. Eu tenho duvidas. Ela tem vivência.
Ela, essa tal felicidade… que é perseguida incessantemente, está nas pequenas coisas do dia-dia feminino que virou memória; memória que desejava chegar, memória que deseja agora voltar. Entre linhas, agulhas, metais e outros materiais foi possível voltar ao passado, imaginar o cotidiano de mulheres comuns que sonhavam em conquistar e querer um futuro regresso.

Chiara Lenci Viscomi
São Paulo – SP

Minha Felicidade





A Imagem:pessoas, momentos, lugares, palavras, gestos, cheiros, sabores, sons... Uma infinidade de possibilidades de bordar a Felicidade. A escolha pela imagem de uma árvore, em especial a Barriguda que tive a oportunidade de conhecer no estado de Goiás, representa aspectos marcantes do que me faz feliz na vida. Uma árvore imersa num cenário de cores do cerrado, cujo tronco apresenta a forma de uma barriga como se estivesse gestante e com seus galhos e flores delicadas que se projetam no espaço sugerindo movimento, como uma dança.
Tingimento do tecido: com o apoio de uma fotografia para pintar o tecido, tive a experiência de transportar-me através da memória para o momento em que a vi diante dos olhos e assim procurei reproduzir as diferentes nuances de cores que constituíam o seu cenário.
O bordado: o início de tudo ocorreu pelo tronco. Cercado de observação, cuidado e paciência era necessário variar o uso dos pontos para proporcionar o aspecto rugoso do mesmo, além de mesclar as cores respeitando as variações existentes. No começo, como surgiam apenas linhas era difícil ter a noção do todo e saber se estava alcançando meu objetivo. Passaram-se dias para que esse tronco se formasse de fato... Depois vieram as raízes, galhos e flores. E por último veio o preenchimento do centro do tronco, sua “barriga”, onde a correntinha através de um movimento lento, delicado e em espiral preencheu e finalizou a imagem de minha Felicidade. A Barriguda, com sua presença de tirar o fôlego...
Ana Silvia Loureiro
São Paulo – SP

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Concebendo a Felicidade

Pequenas Lembranças
Foi dado o tema para a nossa nova “empreitada”, a Felicidade. Quando se pronuncia esta palavra, achamos que sabemos o que é, o seu real significado, mas mesmo assim busquei no dicionário antes  de começar o meu trabalho.
Significado de felicidade: 1. Estado de quem é feliz;  2. Ventura; 3. Bem estar e contentamento; 4. Bom resultado e bom êxito.
Com essa informação, percebi que estar com os meus três filhos é o meu estado de felicidade. E aí dei início ao desenho dos meus pequenos em situações marcantes de suas infâncias. Ao principiá-lo, porém, comecei a lembrar de momentos que estavam esquecidos na minha mente e no meu coração. Períodos agradáveis da minha própria meninice que se assemelhavam com a infância deles. E com isso surgiram no bordado os animais, as plantas e o perfume de algumas delas, a bicicleta e o brasão de família.
Hoje os meus filhos já são crescidos. O Gustavo com 19 anos, Giovanna Lis com 15 anos, e Carolinna Lis com 13 anos. E posso dizer com muita felicidade que eles são o meu maior tesouro. E agradeço por tê-los em minha vida.
Adriana Lis Belinello
São Paulo – SP

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Felicidade é: bordar as lembranças da infância...Trabalho da aluna Mieko Makino. Os trabalhos que foram para a mostra 2º Quilt & Craft Show em CURITIBA são inéditos e só poderão ser publicados a partir da abertura, dia 5 de setembro. Aguardem novas felicidades no dia da inauguração. Ciça Mora, a curadora, irá colocar tudinho no ar, assim como "takes" do evento.