quarta-feira, 25 de abril de 2012


Quando fui convidada a participar do grupo Bordando os Sete fiquei muito feliz, pois me senti uma pessoa importante e que a minha querida professora Jaci confiava em minha capacidade de participar deste projeto. Depois caí na realidade e comecei a ficar angustiada. O temor começou em relação à escolha do artista, em seguida se estendeu ao tipo do tecido e as quais seriam as cores de fundo e, afinal, influenciou até mesmo o tipo de linha a ser utilizada no bordado. Em alguns momentos, com o término do prazo se aproximando, beirei o desespero.
A despeito de todas as incertezas, contudo, o bordado foi criando vida. E com ele, aos poucos, se originava uma família unida, em que cada uma dava palpite nos trabalhos alheios e acatávamos as sugestões de bom grado. Este trabalho foi o primeiro de uma série de muitos e me sinto lisonjeada por participar de um grupo coeso, alegre e com um objetivo comum, de mostrar quão belo é o bordado e quão bonita é a união de pessoas que se ligaram por um fio de linha, mas souberam, com ele, constituir uma forte trama, que originou o grupo Ciranda Bordadeira.
Adriana Lis Bellinello
05/04/2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Na Roça com Militão

Bordando os Sete... A escolha de Militão dos Santos veio ao encontro da admiração que tenho pela pintura naïf e por sua obra, que representa tão belamente nosso povo e seus hábitos e manifestações tradicionais populares.
Foi difícil decidir por apenas uma obra para bordar. A opção por Voltando da Roça ocorreu por me remeter ao sertão, seu povo e paisagem tão peculiar de que tanto gosto. E assim comecei o bordado...  À medida que o trabalho acontecia vinham na lembrança os bons momentos e conversas junto à Militão e sua família – que tive o privilégio de conhecer em minhas férias deste ano –, o contato com as obras prontas e as que estavam sendo criadas e pensava: “Quanta responsabilidade eu tenho aqui”.
Aos poucos o trabalho foi se constituindo. Surgiram paisagens e personagens e comecei a interagir com eles dando-lhes nomes e criando-lhes uma história. Uma história contada por agulha e linhas e que chegou ao fim. O fim de um trabalho e o começo de um sonho. Sonho de bordar outra obra de Militão. ANA SILVIA LOUREIRO - 02/04/2012 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

SOLITUDE


Ser convidada para participar do projeto Bordando os Sete reacendeu uma chama que estava já fragilzinha, sem força para seguir em frente sozinha: a do falar pelas mãos, com agulha e linhas. Fazer parte de um grupo, ser chamada de bordadeira, escolher um(a) pintor(a), uma obra... tudo isso foi muito estimulante!
Escolhi a Anita Malfatti porque quis prestar uma homenagem à tia Lilia, amiga querida e sobrinha da Anita, que já está com 90 anos! Fui pesquisar sobre sua vida, viajei com ela para a Europa e os Estados Unidos. Sofri com seu sentimento de rejeição, exclusão e solidão. E fui parar no Maine, onde ela pintou “Paisagem Amarela” que, por razões óbvias, eu chamei de “Solitude”.
Cada ponto era conversado com a Anita, pedia a sua aprovação. Não queria desrespeitá-la num trabalho que, até então, era só dela. Hoje é meu também.
Gostei muito de ser uma das 20, de conhecer pessoalmente várias delas e virtualmente algumas. Tenho um carinho especial pela Jaci;  que, cheia de vigor, vai atrás das novidades, tem ideias mirabolantes e dá até o sangue para que elas se viabilizem.
Minha paisagem foi solitude, que é a escolha de ficar sozinha. Mas nunca fui solitária, pois a Ciranda vai rodando e apresentando uma colega aqui, outra ali, e acabamos sempre muito bem acompanhadas.
Talita Ribeiro
02/04/2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

OS GIRASSÓIS

Bordar. Para mim é poder retornar às origens. O contato com as linhas, tecidos e agulha acionam como que uma máquina do tempo, que transporta meu coração para a casa de minha avó paterna. Lá, na sala principal de uma casa rural, cercada por cafezais e canaviais, se reuniam as grandes mulheres de minha infância – mãe, avó, tias. Da magia de suas mãos surgiam bordaduras maravilhosas aos meus olhos de criança.  Pássaros encantados, paisagens bucólicas, flores imaculadas enfeitando roupinhas de batizado do mais novo bebê da família, ou apenas uma simples frase para enfeitar uma parede e garantir que “Deus protege esta casa”.
Meu contato com o bordado, hoje, quando a última dessas “grandes mulheres”- minha mãe - acaba de partir, tem me ajudado a unir os fios do presente e do passado, na busca de uma tessitura para o aconchego perdido. E as mulheres solidárias com quem compartilhei este projeto para a exposição Bordando os Sete, contribuíram generosamente  para este meu processo.
Agostinha Hashimoto Zero

domingo, 1 de abril de 2012


Há quem me chame de velha por bordar, há quem não entenda as razões pelas quais faço isso, há quem não dê valor a estes trabalhos, há quem apenas veja, mas não enxergue sua essência...
Nos dias de hoje, bordar já não é mais uma obrigação das mulheres ou uma disciplina escolar. Bordar é um dom que herdei das mãos magras e vividas de queridas mulheres, que deram graça as suas vidas com flores de delicados pontos e barrados de capricho. Este dom ultrapassa o manuseio dos tecidos e das linhas, ele proporciona a construção de ideias, o entendimento de sentimentos, a fluidez da imaginação, o encontro de mulheres diversas despidas de qualquer forma de julgamento, a experiência, a superação.
Um trabalho introspectivo que faz parte de um todo que se dissipa no mistério do seu sentimento.


Chiara Lenci Viscomi