domingo, 19 de agosto de 2012

Alinhavando Felicidades...

Desde que recebi o convite para participar do 2º Quilt & Craft Show com o tema Felicidade, imaginei que a tarefa seria árdua, essencialmente em função do desafio de transformar algo tão subjetivo numa imagem que a partir do primeiro olhar evocasse esse sentimento no expectador. Superada essa primeira dificuldade pensei que do próprio tema derivaria certa uniformidade de expressão com formas, cores e texturas harmônicas que propiciassem sensações de conforto e bem-estar e, além disso, suscitasse no público percepções análogas provenientes de suas próprias memórias.
O que eu não considerei, porém, foi o óbvio: quando se trata de subjetividade humana e da complexa trama da qual é constituída, é impossível prever o estilo de cada um, o tipo de reação que deseja provocar e menos ainda qual imagem elegerá para representar seu cenário afetivo. E essa constatação resultou na necessidade de lidar com concepções bastante diversas das que eu imaginara no início e que, afinal, pertenciam à minha própria cadeia associativa.
A diversidade e a riqueza da alma humana mostraram sua face, forçando-me a garimpar a felicidade nos traços e nuances mais inesperados: em arestas pontiagudas e  contornos nebulosos, em tons agressivos e imagens inquietantes, em cavidades que evocavam fantasias primitivas. Foi difícil localizá-la nesses desvãos, posto que a todo momento ela insistia em me chamar para terrenos mais familiares nos quais podia ser facilmente identificada... Na cachoeira descendo por uma encosta, nas crianças empinando pipa, nos cachorros ao redor de seus donos, nas lembranças que uma viagem deixou, nos registros domésticos e acolhedores, em viagens que o universo literário propicia e até mesmo num arco-íris contra um céu tempestuoso. E ainda nas fascinantes equilibristas concentradas em manter a felicidade em suas mãos, a despeito dos revezes cotidianos.
Somado a tudo isso o prazer de evocar com linhas e texturas, no trabalho em parceria com Vilma, a magia de contos que me enlevaram na infância.
Jornada finda resta o aprendizado de que a criatividade não tem mesmo limites e a arte pode ser expressa de múltiplas maneiras. Porém, o livre-arbítrio nos possibilita escolher com o que desejamos abastecer nosso mundo interno. Eu fico com Dostoievski: a beleza salvará o mundo.

Jaci Ferreira
Coordenadora do grupo Ciranda Bordadeira

Um comentário:

  1. Que lindas palavras Jaci, a poesia interpretada em linhas e pontos de bordado. Esse trabalho merece muito mérito e louvor.

    Um grane abraço,

    Cris Turek

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