quinta-feira, 5 de abril de 2012

OS GIRASSÓIS

Bordar. Para mim é poder retornar às origens. O contato com as linhas, tecidos e agulha acionam como que uma máquina do tempo, que transporta meu coração para a casa de minha avó paterna. Lá, na sala principal de uma casa rural, cercada por cafezais e canaviais, se reuniam as grandes mulheres de minha infância – mãe, avó, tias. Da magia de suas mãos surgiam bordaduras maravilhosas aos meus olhos de criança.  Pássaros encantados, paisagens bucólicas, flores imaculadas enfeitando roupinhas de batizado do mais novo bebê da família, ou apenas uma simples frase para enfeitar uma parede e garantir que “Deus protege esta casa”.
Meu contato com o bordado, hoje, quando a última dessas “grandes mulheres”- minha mãe - acaba de partir, tem me ajudado a unir os fios do presente e do passado, na busca de uma tessitura para o aconchego perdido. E as mulheres solidárias com quem compartilhei este projeto para a exposição Bordando os Sete, contribuíram generosamente  para este meu processo.
Agostinha Hashimoto Zero

15 comentários:

  1. Agostinha Hashimoto5 de abril de 2012 16:21

    Obrigada Jaci!!!

    ResponderExcluir
  2. Agostinha, não tive o prazer de conhecê-la, mas este seu texto te desnuda, revela exatamente quem você é e como está.

    Um grande beijo pra você, solidária com sua perda da "última grande mulher" daquela geração. Porque certamente você é outra grande mulher para as gerações que vieram depois de você.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada Talita! Só agora consegui me entender com a internet para te responder.
      Espero que possamos nos conhecer logo.
      Um abração,

      agostinha

      Excluir
  3. Esta nossa ciranda está possibilitando a revelação de outros talentos de suas integrantes. As mãos que bordam encontram aqui outras formas de comunicação e a veia poética verte palavras de consolo, solidariedade e carinho. E novos fios colorem nossas meadas com genuíno afeto.

    ResponderExcluir
  4. A arte é sempre uma bordadura do coração! E a beleza da arte que se revela nos fios do seu bordado em nada me surpreende, quando já conheço de perto a grande mulher que você é o grande coração que tem. Ainda que eu seja suspeito para falar de você, a bordadeira que teceu os primeiros fios da minha vida, entrelaçando o DNA que me trouxe ao mundo, eu faço questão de dizer: ficou muito lindo! E pelo visto, é só o começo de uma série de peças que vão enfeitar nossas vidas e a do seu netinho que tá chegando :) PARABÉNS, Mãe. Um beijo grande, Pedro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bênção ter um filho assim, hein? Beijo carinhoso, meu querido.

      mãe

      Excluir
  5. Querida Gi,
    Fiquei com os olhos cheios de lágrimas quando vi sua peça bordada e chorei ao ler seu belo texto... um texto que revela a história de uma mulher forte e amorosa que mora e inspira nossos corações. Nao vemos a hora de receber dessas maos tao especiais os bordados para o Arthur. Um beijo grande da sua nora Ma

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma emoção muito grande receber uma mensagem assim dessa nora tão querida. Beijão!

      Excluir
  6. Agostinha,

    tocante seu depoimento, tanto quanto o de seu filho.
    Beijos.
    Olinda

    ResponderExcluir
  7. Agostinha,
    Seu bordado está maravilhoso e seu depoimento emocionante. Parabéns!Beijos!

    ResponderExcluir
  8. Muito obrigada! Beijo pra vc também.

    ResponderExcluir
  9. A exposição de bordados no Flores na Varanda estava belíssima. Já de longe dava pra ver o conjunto das obras com suas cores vibrantes. Me chamou muito a atenção a qualidade das linhas. Numa das oficinas que participei a Jaci já tinha alertado quanto à qualidade superior da linha importada (é a DMC?) e fiquei imaginando a variedade de tons do material que vocês utilizaram.

    Depois fui vendo quadro a quadro, e em primeiro lugar curti a variedade de temas. Sobre o feminino, sobre a transcedência, sobre a natureza, sobre as regiões do Brasil, ambientes rústicos/rurais... Além da diversidade de pontos (uns totalmente inéditos pra mim) a diversidade de traçados e estilos. Como cada artesã resolveu seu espaço, umas com formas mais milimetricamente planejadas e arredondadas (como a Mioko se não me engano) outras mais livres ousando colar pedaços de tecido e de linhas ao bordado. Umas mais fiéis às obras originais, outras mais soltas criando trechos que não existiam, transcendendo os limites do frame.

    Enfim, fiquei um tempão imersa nesse prazer contemplativo. Pena que uma banda começou a montar seus intrumentos naquele espaço que seria o palco, praticamente me expulsando de lá…rs. Se não, ficaria muito mais tempo sonhando com as obras.

    Ótima a iniciativa de criar este site, assim teremos uma espécie de catálogo virtual das obras pra ir visitando aos poucos, sempre que der vontade de contemplar as obras novamente. Além, é claro, de podermos conhecer as bordadeiras e suas histórias!

    Abraços a todas

    ResponderExcluir
  10. Agostinha, só agora consegui entrar no blog e ler com calma o seu texto. Me emocionei muito e consegui imaginar com clareza os locais e pessoas que vc citou....Muito Lindo !!! Não conhecia esse seu lado poético !!! Realmente a arte de bordar asemelha-se a história de cada indivíduo. As alegrias, as tristezas, as histórias, tudo tecido fio a fio numa tela: a tela da vida.
    Tenho certeza que sua inspiração agora vai aumentar mais com a nova vida que está chegando....o Arthur !!! Beijos da sua fã Cristiane

    ResponderExcluir
  11. Obrigada Cris! Viu só como sou mulher de muitos talentos? rsrs

    ResponderExcluir